Às vezes reclamamos da vida e do que ela nos apresenta. Hoje, em especial, vou falar de uma pessoa que pouco conheço, mais esse pouco me deu várias lições de força, sabedoria e sobretudo, de amor incomensurável.
Alguns de vocês que me conhecem sabem que, em 2006/2007 consegui contato com minha irmã, uma dos meus 4 quatro irmãos por parte de pai, que eu não conhecia e tive a oportunidade de estar com ela por alguns dias. Nesses dias muitas coisas aconteceram e uma pessoa me emocionou muito. Não preciso registrar o quanto seria difícil a familia de meu pai me aceitar e realmente foi, o que não culpo ninguém porque, tudo na vida tem seu tempo certo.
Porém, após as tentativas de minha irmã Heloisa houve uma pessoa que de imediato quis me conhecer e me ofereceu um gostoso jantar em sua casa. Eu, meio que envergonhada, porque minha presença trazia lembraças ruins a pessoas que eu nunca quis e nem tive intenção de magoar, fiquei alguns minutos parecendo um sapo de outra lagoa, porém, logo isso passou e me senti como se juntas tivéssemos passado toda a nossa vida. Essa pessoa era a Maria Laura, Lalá para todos. Meiga, querida, que adora cachorros, que parece ter, pelo menos, 20 anos menos dos que tem e mãe do Pedro, um filho lindo, inteligente, advogado, com um futuro brilhante que, apesar de estar um pouco triste naquela noite, veio nos comprimentar, a mim e ao meu filho, que tem a idade dele, com muito carinho. Aquela noite ficou guardada em mim como uma das mais queridas. Senti-me da famíla, senti que tinha família, que as lembranças de irmãos e primos, por mais tardias que viessem, passariam a existir. Adorei aquela noite.
Pouco tempo depois, um dia em casa, o telefone tocou e era minha irmã contando que o Pedro, ao sair de uma boate para pegar um taxi, havia sido atropelado e estava entre a vida e a morte. O motorista que o atropelou nem sequer parou para olhar o estrago e Pedro ficou em coma, sofreu muito, por muito tempo. Pelo que sei foram 17 cirurgias, 5 delas, cerebrais e até hoje luta para levar uma vida normal. Imediatamente fui até o Mosteiro de São Bento, pedir aos Frades que orassem por Pedro (eu ainda nem sabia seu sobrenome direito) pegar Água Benta e medalhinhas para poder mandar para Lalá porque sou religiosa como ela e acredito muito na corrente de orações dos Frades. Lalá passou muito tempo entre notícias ruins, pésimas, boas, esperanças vãs e esperanças que, ao final, se concretizaram.
Não houve uma única vez em que ví ou senti Lalá esmorecida em sua dor, ao contrário era a pessoa que mais confiança nos passou, em seus boletins, na comunidade do orkut: "Pedro estamos com você" e em seus e-mails. Lalá, a mulher rocha e seu filho Pedro, que suportou e suporta tudo sem desistir. Uma das maiores lições que tive em toda minha vida. Uma mãe que cresceu junto com sua cria, assim como eu, que tem uma força e determinação que só o amor nos traz. Lalá que segue em sua luta diária com a maior resignação e fé, ajudando Pedro a continuar e, principalmente, a não sentir pena de si mesmo, a conservá-lo alegre e bem humorado, dando-lhe a certeza que a vida continua e que ele ainda tem muito o que curtir, com os amigos, com a família que, pelo que vejo é extremamente presente. Lalá sempre leve, trilhando o seu caminho com aceitação, sem reclamar ou perder sua fé. Pedro, esse menino de sorriso sincero que provou que quem sai aos seus não degenera, que Deus sempre abençoará, protegerá e iluminará, pois muitos pedem por ele. Que orgulho tenho de ser sua prima, mesmo que tenhamos nos visto somente uma vez. Continua rezando e torcendo muito por vocês.
Com amor, Silvia.
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